sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Os 6 papéis equivocados do coordenador pedagógico

  1. 1. Os 6 papéis equivocados do coordenador pedagógico Dagmar Serpa  (gestao@atleitor.com.br) Saiba quais são as atribuições que sobrecarregam o responsável pela formação dos professores e fazem com que ele deixe de realizar suas tarefas essenciais: FONTE: http://revistaescola.abril.com.br/gestao-escolar/6-papeis-equivocados-coordenador-pedagogico-634935.shtml? page =0#
  2. 2. O FISCAL
    • Perfil :
    • Ele parece que está na escola só para verificar se tudo está nos conformes.
    • Como evitar:
    • Para se livrar da personalidade fiscalizadora, é necessário um processo de conscientização - dele e do gestor - para que sua atuação seja no sentido de assegurar o bom desempenho docente.
  3. 3. O secretário
    • Perfil:  
    • Conferir listas de chamadas e arquivá-las. Organizar os horários para o uso da biblioteca e dos laboratórios. Escrever as atas de todas as reuniões. Ele faz tudo isso e, não raro, preenche e confere documentos.
    • Como evitar:
    • Questões burocráticas são atribuições de funcionários da secretaria. Cada um faz sua parte para que ninguém fique sobrecarregado.
  4. 4. O Psicólogo
    • Perfil  
    • Quase todo o foco de sua atenção está dirigido aos alunos indisciplinados.
    • Como evitar 
    • Nesse ponto, há uma ressalva. A indisciplina geralmente vem dos alunos que não estão aprendendo e não têm a devida atenção do professor nas suas necessidades de aprendizagem. Nesse caso, o coordenador deve, sim, intervir, pois é sua obrigação cuidar para que a dinâmica da sala de aula inclua a todos e que o professor possa atender à diversidade e ensinar.
    • "É função do coordenador receber a família quando se trata de questões pedagógicas", observa Luzia Marino Orsolon
  5. 5. O Síndico
    • Perfil: 
    • Sua maior preocupação é com o estado do prédio da escola, a quantidade de materiais de consumo e a carência de pessoal.
    • Como evitar: 
    • Cuidar de recursos e infraestrutura é atribuição do diretor e do vice. Conforme os problemas detectados, eles terão de negociar com a Secretaria de Educação reformas, consertos e reforço de pessoal.
  6. 6. O relações-públicas
    • Perfil:
    • Tem gincana, festa junina ou qualquer evento na escola? Ele corta bandeirolas e faz cartazes e convites: 18% dos entrevistados afirmaram que é tarefa da coordenação se envolver nesses tipos de atividades extracurriculares.
    • Como evitar 
    • O coordenador deve orientar a organização de eventos quando esses tiverem relação com os projetos didáticos desenvolvidos pelos professores. Mas veja bem: orientar não é executar.
  7. 7. O Assistente Social
    • Perfil:  
    • De tão tocado com a situação precária da comunidade do entorno, ele envolve-se com os problemas de desemprego e alcoolismo das famílias dos alunos e se empenha em juntar alimentos não perecíveis para distribuir aos mais carentes.
    • Como evitar: 
    • Ações que abram a escola e promovam a interação com a família e a comunidade do entorno - como promover palestras temáticas de interesse geral - são vistas com bons olhos. No entanto, a militância social é iniciativa de outra ordem, que o coordenador pedagógico até pode ter, mas nunca deve ser exercida no horário de trabalho, no qual é sua obrigação se dedicar à formação de professores.
  8. 8. 
    • Apresentação organizada por Lidia de Oliveira Lopes
    Quer ler mais? Veja o artigo na íntegra no site da revista Nova Escola http://revistaescola.abril.com.br/

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Minha paixão pela neuropsicopedagogia



     Minha paixão sempre foi trabalhar em contextos educacionais. Os educandos sempre nos trazem ânimo e vigor, estão sempre nos proporcionando momentos de aprendizagens.
     Foram amigas que me incentivaram a procurar uma forma de entender como ensinar ,melhor. Foi quando surgiu uma oportunidade de cursar psicopedagogia ,que poderia me dar as respostas que eu queria,,naquele momento.O encantamento pelo processo psicopedagógico, as vivências de algumas técnicas de intervenção, perceber que a inclusão é algo possível e viável me proporcionaram aberturas para novos horizontes, pois podemos fazer mais do que simplesmente aquilo que o contexto educativo nos apresenta.Meu Trabalho no NAE ,me deu uma oportunidade em me especializar em dificuldades de aprendizagem.Muitos desafios a cada ano,junto com uma Equipe maravilhosa,empenhada e de muita responsabilidade e comprometimento.
     Logo após veio a Pós em Neuropsicopedagogia e tudo aquilo que aprendi na faculdade ganhou maior significado. O conhecimento das Neurociências despertou em mim o desejo de saber mais, estudar mais. Elencar novas prioridades em minha vida, entender que através de nossos estudos estamos colaborando para melhorar a qualidade de vida de outras pessoas. Entender as bases neurais do comportamento humano, ter conhecimento da neuroplasticidade, relacionar aprendizagem e cérebro são aspectos fascinantes que a Neuropsicopedagogia nos proporciona.
    Ser Neuropsicopedagogo é um compromisso sério e de muita responsabilidade, pois diariamente novos conhecimentos do cérebro vêm sendo apresentados, novos livros e técnicas de estimulação surgem em diversos contextos da educação. Precisamos estar em constante reciclagem, o fazer neuropsicopedagógico nos exige dedicação e constante atualização, mas se você se permite apaixonar-se pela Neuropsicopedagogia, ela te contagia e mesmo sem perceber já estará em busca do mais.

ESTIMULE SEU CEREBRO


Motivação como ferramenta de aprendizagem

[...] o ensino deveria progressivamente se transformar numa autêntica “neuro-psico-pedagogia”: a ciência unificada e cumulativa onde a liberdade de ensino não é negada, mas voltada para a pesquisa pragmática de um ensino melhor estruturado e mais eficaz. O conceito que exige a experimentação é uma das belas ideias que a ciência pode aportar à pedagogia. Experimentar não é de manhã ensaiar uma ideia que nos chegou durante a vigília da noite anterior. Experimentar exige, ao contrário, conceber com paciência, minúcia e levando em consideração todos os conhecimentos passados, uma manipulação nova da estratégia de ensino, que será comparada com uma situação de controle (outro dia, outro exercício, outra classe).
Stanislas Dehaene

         Imagine-se num local onde todos fossem fluentes na escrita e leitura em mandarim, mas você não! O quadro estaria repleto de atividades, todos seus colegas empenhados na execução das mesmas, mas você... Ahhh e se além de não ter o domínio do mandarim, ainda fosse alguém muito tímido...a situação seria pior, não seria? E se em determinado momento o professor percebesse que você não está conseguindo um bom desempenho acadêmico e iniciasse a averiguação de possíveis hipóteses de sua não aprendizagem: - quem sabe você teria algum déficit de atenção? Ou dislexia, pois disléxicos tem muita dificuldade na aquisição da leitura! Quem sabe algum problema emocional estivesse bloqueando sua aprendizagem...
           Agora vamos aumentar um pouquinho esta imaginação, digamos que se passaram 3 anos nesta escola... O primeiro ano, destinado a alguns conhecimentos básicos do mandarim, seu professor estivesse passando por situações difíceis e se exaltasse com frequência, e você por medo ou timidez, se limitasse apenas a fazer cópias daqueles ideogramas, era uma maneira de manter-se ocupado...concorda comigo? No ano seguinte, quem sabe o próximo professor nem percebesse sua presença na sala de aula, afinal de contas, você copia muito bem, não faz perguntas, e além de tudo é tímido... Mas, chegou o terceiro ano, e aqui tem um fator diferencial, se você não ler e escrever em mandarim e também não tiver nenhum laudo que justifique sua não-aprendizagem, obviamente você terá que repetir o ano...Eu sei que a história é maluca, mas gostaria que entendesse quanto o olhar de um professor pode fazer a diferença na aprendizagem de qualquer educando.
      Frequentemente escutamos a fala de professores focada naquele aluno que se apresenta mais inquieto, seja por hiperatividade, seja pela constante participação. Porém, o que fazer por aqueles que são tímidos? Introvertidos? Estes sim, precisam muito mais do que um olhar, precisam de alguém que praticamente leiam suas intenções, percebam quando estão em dúvida, percebam quando tinham a intenção de perguntar algo, mas não o fazem, talvez por medo de se expor no grupo, ou por outra razão qualquer, por isso enfatizo novamente: - O olhar do professor faz toda a diferença na vida de uma criança. Pacheco (2007, p.150) enfatiza que “ Os professores precisam conhecer o estado de desenvolvimento dos alunos para encontrar as tarefas apropriadas. Isso significa que eles precisam observar os alunos para saberem para o que eles estão prontos. ” 
          Na psicologia cognitiva, existe a terminologia mediação, que faz referência a “uma experiência refletida e instrutiva em que uma pessoa bem-intencionada, experiente e ativa, geralmente um adulto, se interpõe entre um indivíduo e as fontes de estímulos”. (DIAS 1995 apud VIANIN 2013)
         O cenário educacional está repleto de excelentes profissionais que apostam na mediação da aprendizagem como forma de auxiliar o aluno em suas necessidades mais básicas, ou seja, procuram verificar qual exatamente o estágio em que o aluno se encontra e a partir disso constroem estratégias que promovam a aprendizagem. Preste atenção no relato a seguir...
Era início do segundo semestre do 3º ano do ensino fundamental e num jeito muito tímido Júnior (nome fictício) ingressou na turma. Junto a ele, seu histórico: não sabia ler, pouca participação em aula, excessiva timidez, caderno impecável, letra exemplar, suspeita de déficit de atenção ou dislexia.  
Nas primeiras horas dentro desta nova realidade, foram propostas algumas atividades lúdicas, procurando integrar o aluno e investigar seu desempenho nas mais diversas áreas. Uma mediação eficaz necessita conhecer todas as possibilidades de atuação com o indivíduo e mesmo que no histórico relate situações de falta de êxito em determinadas atividades, se faz necessário verificar quais as possibilidades de mudanças daquela realidade e dentro desta perspectiva que Júnior foi convidado a escrever algumas palavras ditadas pela professora, ou seja, uma sondagem da aquisição da escrita, sendo que o mesmo deveria escrever sem medo de errar e do modo como soubesse. Resultado: o menino não conseguiu escrever nenhuma palavra coerente, poderíamos dizer que se encontrava na fase pré-silábica...
A professora deu continuidade à aula, porém muito pensativa: - o que fazer por uma criança no terceiro ano e com pouquíssimas condições de se alfabetizar...
Num determinado momento, lembrou de Ausubel: “a educação deve partir dos conhecimentos prévios do aluno” e nesse sentido, Fabre (2006 apud Vianin 2013) nos diz que “o pedagogo não é aquele que teoriza sobre a prática dos outros, mas sim sobre sua própria prática”, e eis que solicita novamente a criança:
- Júnior, antes pedi para você escrever algumas palavras, mas vamos fazer diferente:  do teu jeito de criança, eu quero que você me escreva, palavras que você já sabe escrever...- e ele, com um sorriso tímido, escreve; - bola, Júnior, Paulo, Maria, José, Marta, João... (bola, pois ele era excelente no futebol, e as demais palavras eram os nomes dos integrantes de sua família).
Excelente! A professora já tinha como montar uma linha de intervenção com essas pouquíssimas palavras e criar muitos jogos como estratégias de aprendizagem.... Resumindo a história: - o aluno conseguiu através de poucas atividades, porém constantes, a apropriação do processo de leitura e escrita. Em poucos meses já conseguia ler e escrever frases simples, mas para quem passou 3 anos olhando como se tudo fosse em mandarim, pode-se dizer que foi um progresso espetacular.
          Um mês após a vinda de Júnior para este contexto educacional vieram os resultados de exames neurológicos...nenhum déficit cognitivo! Entretanto, isso não descarta a possibilidade de problemas de outros fatores, tais como os psicológicos, porém, um grande equívoco é quando o professor fica à espera de um laudo e deixa de fazer aquilo com que se comprometeu: - promover a aprendizagem. Não existem receitas prontas, muito menos métodos milagrosos, mas deveria ocorrer maior investimento na conscientização do educador como promotor do ensino de estratégias cognitivas e metacognitivas necessárias à aprendizagem.
     Será que nos anos anteriores foram propostas atividades que aproveitasse os conhecimentos prévios do educando? O aluno por apresentar uma timidez acentuada foi “deixado de lado” porque não interferia no desenvolvimento da aula? Qual a práxis do educador frente a não aprendizagem do aluno?
         Há casos em que, sem a mediação do adulto a criança não consegue aproveitar na sua totalidade os estímulos propostos pelo ambiente, por isso se faz necessário o trabalho na “zona proximal de desenvolvimento” (Vygotsky), ou seja, alguém que aumente a capacidade do aluno de aproveitar as situações de aprendizagem que encontra.
          O professor, diante o processo de ensinar, mantém uma relação privilegiada do saber (Vianin, 2013), portanto compete a ele, escolher o tipo de intervenção mediativa de que o aluno necessita. Muitas vezes, cria-se nas escolas uma falsa ilusão de que basta colocar o aluno em constantes atividades que a aprendizagem acontece, no entanto, se faz necessário o entendimento que “a intervenção de uma pessoa mais competente que a criança [...] permite ao aluno desenvolver novas modalidades de desenvolvimento cognitivo.” (VIANIN, p.193)
          Sabemos que existem muitos fatores que interferem na aprendizagem, mas se existe um fator que faz a diferença é justamente a figura do professor, seu comprometimento com o processo educacional, sua práxis pautada na mediação e a busca contínua de modificar o funcionamento cognitivo dos educandos, auxiliando-os a tomar consciência de seus conhecimentos prévios e o quanto eles podem ser ampliados.


REFERÊNCIAS:

PACHECO, José... [et al.] Caminhos para inclusão: um guia para o aprimoramento da equipe escolar. Porto Alegre: Artmed, 2007.

VIANIN, Pierre. Estratégias de ajuda a alunos com dificuldade de aprendizagem. Porto Alegre: Penso, 2013.
http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2015/10/mediacao-na-aprendizagem.html

Motivação como ferramenta de aprendizagem



Da mesma forma que sem fome não apreendemos a comer e sem sede não aprendemos a beber água, sem motivação não conseguimos aprender.
- Iván Izquierdo.

    Vivemos tempos em que tudo parece muito difícil: violência, situação política, econômica, saúde pública, enfim, cada um através de seu prisma consegue enxergar aquilo que lhe aflige... Mas, também podemos afirmar que nosso conforto nos cega!!! Talvez tenhamos comodidades que em séculos anteriores nossos antepassados não as tiveram.
       Que tal imitarmos o personagem de Christopher Lloyd, o cientista Doc  Brown, no filme “De volta para o futuro”, mas voltar  no tempo até aportar exatamente no local onde estão chegando os primeiros imigrantes em terras brasileiras? Na mala, apenas sonhos, esperança de um futuro melhor, sementes e ferramentas agrícolas para que pudessem plantar seus alimentos, construir suas casas. Por todos os lados há somente mata, mas é esta a realidade, é através dela que terão que cuidar da família, zelar pela educação de filhos, caçar o alimento, buscar água para o próprio consumo...imaginem o tamanho da motivação que estes indivíduos precisavam ter?
      Muitos devem pensar: - mas isso é uma questão de sobrevivência!!! Lógico que é!! E é bem nesse ponto que quero tocar: - MOTIVAÇÃO é questão de sobrevivência! É ela que nos faz querer algo mais, que nos impulsiona para nos desvencilhar de todos e quaisquer empecilhos para que possamos alcançar nossos objetivos.
     Motivação provém da palavra em latim “MOVERE”, que significa mover para realizar determinada ação. Ou seja, é o impulso que nos move para agir. Percebe-se muitas escritas em neuroeducação enfatizando o papel das emoções, que trata-se de “um estado que a pessoa fica diante determinada situação/sentimento” (Mattos, 2010), pode ser algo passageiro, mas elas são de extrema importância, pois as emoções em ação tornam-se poderosos fatores de motivação, liberando neurotransmissores responsáveis pela nossa sensação de prazer, de bem-estar, acionando assim mecanismos que  sustentam a motivação, que “é uma condição de estar preparado e com vontade de fazer alguma coisa” (Mattos, 2010).
       A motivação traz o entendimento do porquê o aluno precisa estudar, que diferença fará na sua vida aprender determinado conteúdo, além de dar suporte para que muitas vezes consiga dizer não para algum compromisso com amigos e mesmo assim tenha prazer em estudar.
      Os mecanismos da motivação quando ativados no cérebro liberam dopamina, que é uma substância neuromoduladora capaz de modificar as atividades elétricas dos neurônios. Quanto maior a quantidade de dopamina que recebemos, maior é a sensação de bem-estar que associamos aquele comportamento, procurando repetir este estímulo como forma de ativar nosso sistema de recompensa.
        Se o aluno recebe um elogio do professor por determinada situação, com certeza irá querer repetir a ação para receber novos elogios. Se disser para tal pessoa que o sorriso dela é encantador, certamente ela vai sorrir com muito mais frequência. Como também se comemos algo que nos deu prazer, visitamos algum local maravilhoso ou sentimos alegria na companhia de alguma pessoa, vamos querer repetir a dose...
       Dentro da questão motivacional entra em cena também os famosos neurônios-espelho, que são células especializadas que tentam reproduzir automaticamente ações alheias e nos permitem tanto imitá-las quanto interpretá-las e nesse sentido Fraiman (2014) nos diz que “a postura do educador influencia na motivação de seus alunos e em seu impacto na comunidade”. Portanto, para motivar alunos, precisamos ser exemplo de motivação. Eles precisam sentir que é possível sim, fazer a diferença, que a educação é âncora motivacional para a vida, que nosso cérebro ‘aprende’ não só novos conteúdos na escola, mas também a alterar processos-chave para a vida.
        Talvez alguns educadores esqueceram o que um dia os motivou a chegar a tal lugar, o encanto que teve o primeiro emprego, ou ser chamado no edital do concurso, seu primeiro dia na escola, sua primeira reunião, o primeiro olhar de cada aluno... sim, os alunos já eram agitados, desmotivados, sempre o foram! Mas, a expectativa do fazer docente, fazia com que isso servisse de impulso para criar novas técnicas, preparar aulas diferenciadas, propor atividades diversificadas.... Em muitos momentos do fazer docente podemos passar por situações de desmotivação, mas se faz necessário pensar: - e se fosse meu primeiro dia, se fosse meu primeiro ano? Como agiria?
       Mussak (2013, p.119) conta um episódio que assistira de Madame Bovary: “Emma, queixa-se do esposo, e me chamou particularmente a atenção um trecho em que ela diz que seu marido é muito bom, atencioso, mas não é ambicioso. Ela, ao contrário, é ambiciosa, ela quer mais da vida. Naquele tempo, a mulher não devia ser ambiciosa, quem tinha de ser ambicioso era o marido, mas seu nível de expectativa é mais elevado do que o dele. Em certo momento, ela diz algo assim: quando olho para meu futuro, vejo um corredor escuro com uma porta fechada no seu extremo”. E isso a desesperava. Ela não conseguia manter a motivação no casamento porque, ao olhar para adiante, via apenas um trajeto sombrio e sem saída”.
        E quantas vezes podemos passar esta mesma sensação a nossos alunos, de que a vida é um trajeto sombrio e sem saída, é preciso ter vistas para um futuro mais audacioso ter a certeza do que e porque estamos na estrada da educação.
       Nosso corpo possui drogas internas, a dopamina e a ocitocina, responsáveis pelo prazer e pela colaboração, que são estimuladas com a palavra e o reconhecimento. (Costa, 2014). Quando falamos em motivação como ferramenta de aprendizagem é justamente o encantar com a palavra e o reconhecimento, durante séculos estes recursos nunca caíram de moda: “mostrar empatia pelo aluno, ser exemplo de motivação, trabalhar conteúdos através de histórias, mudar a tonalidade da voz, ...”
        São pequenos fatores que fazem a diferença, se não os fizesse não existiria nenhuma Malala Yousafzai, em pleno século XXI, recebendo prêmio Nobel (2014) por reivindicar o direito ao estudo, o direito de ter a presença de um professor, o direito de fazer a diferença no mundo.
        Se em tempos anteriores, alguns transformaram a história, trazendo consigo apenas algumas sementes e ferramentas agrícolas, que nós sejamos mais audaciosos, pois com todos os recursos que dispomos, precisamos ser referência em motivação, de tal forma que lá dentro do cérebro de nossos alunos, seus neurônios-espelho, clamem por: - eu quero ser assim, eu quero aprender isso... E dessa forma podemos passar a sensação de que a vida é um trajeto claro e com muitas oportunidades, desde que tenhamos motivação para alcançar nossos objetivos.

Referências:
COSTA, J. Congregarh-2015
JESEN, Eric. Enriqueça o cérebro: como maximizar o potencial de aprendizagem de todos os alunos. Porto Alegre: Artmed, 2011.
MATTOS, Geraldo. Dicionário Júnior da Língua Portuguesa. São Paulo: FTD, 2010.
MARINS, L. MUSSAK, E. Motivação: Do querer ao fazer. Campinas: 7 mares, 2013

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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

O QUE É UMA AVALIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA

Normalmente a escola encaminha crianças e adolescente para Avaliação Psicopedagógica por uma razão específica: o desempenho escolar não está de acordo com o esperado. Ou o processo de leitura e escrita está aquém se comparado com as demais crianças da turma ou  apresenta dificuldades na compreensão de uma determinada disciplina ou ainda o aluno mantém um comportamento frente a aprendizagem desmotivado ou até  mesmo alienado. São muitas as queixas iniciais, mas são poucas as famílias que compreendem a importância de investigar a fundo as dificuldades de seu filho para então tomar a decisão mais acertada.
criança vai mal na escola
É importante ressaltar que a avaliação Psicopedagógica ou Psicoeducacional é o começo de um processo de investigação. São de 6 a 12 sessões com o paciente (aluno) que investigará diferentes dimensões relacionadas à aprendizagem: afetivo, cognitivo, social, intelectual, psicomotor, entre outros.
Normalmente a avaliação começa com a EOCA,  Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem, que visa situar o Psicopedagogo sobre a maneira com a qual o paciente lida com sua aprendizagem.
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A dimensão cognitiva diz respeito aos Testes Cognitivos (Provas Piagetianas) que delimitam a capacidade cognitiva do sujeito, ou seja, situa em que nível sua cognição (a capacidade de adquirir um conhecimento) está em comparação a sujeitos da mesma faixa etária.  Essas capacidades são adquiridas gradualmente de acordo com cada idade, ou seja, cada sujeito em determinado estágio do desenvolvimento vai responder ãs Provas Piagetianas de uma determinada maneira e a partir delas é possível afirmar se o mesmo está preparado para as aprendizagens de um determinado conteúdo.
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Provas Piagetianas
Quando uma criança tem atraso cognitivo, ou seja, não responde como deveria as questões propostas é bem provável que não consiga aprender o que lhe é proposto na escola. Uma criança de 7 anos que não consegue aprender a ler e escrever pode ter um atraso no seu desenvolvimento cognitivo e ao invés de repetir o processo de alfabetização muitas e muitas vezes, outros instrumentos Psicopedagógicos devem ser oferecidos para que essa criança se desenvolva e então seja capaz de aprender.
Os Testes Psicomotores demonstram a capacidade motora e suas nuances que estão relacionadas intrinsecamente com a cognição. Sabemos que uma criança que não amarra os sapatos aos 6/7 anos, ou não pula corda aos 8/9, ou é incapaz de copiar um simples desenho aos 5/6 poder ter comprometimento psicomotor e por consequência uma imaturidade que impossibilita o aprender.
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Teste Bender
No âmbito social, os Testes de Linguagem Escrita auxiliam no diagnóstico de Dislexia ou dificuldades específicas de leitura e escrita, bem como verificar se as habilidades nessa área estão adequadas para a faixa etária e condição social. Uma criança que não consegue resolver problemas matemáticos pode ter uma séria dificuldade de leitura e interpretação que acarreta no mau desempenho em lógica.
escrita
Os Testes de Inteligência pontuam sobre o nível de inteligência do aprendiz, esse índice de inteligência pode apontar para quais habilidades estão mais frágeis, sejam elas memória, capacidade de execução ou atenção, para não citar tantas outras que podem ser medidas nesse tipo de testagem. Veja que os testes de inteligência para a Psicopedagogia não tem como objetivo medir o QI, mas sim dar pistas do que está adequado e o que precisa ser trabalhado mais fortemente para que o sujeito aprenda mais e melhor.
Wisc
Já as Provas Projetivas buscam esclarecer as condições afetivas/emocionais para aprendizagem. Sentir-se bem no ambiente escolar, confiar no professor e ter carinho por ele, ver-se capaz de produzir e ser útil no ambiente familiar  é crucial para uma boa aprendizagem. Sem boas relações afetivas o sujeito não é capaz de aprender, mesmo que sua cognição e inteligência estejam intactos.
projetivas
No âmbito social, as Provas Pedagógicas são utilizadas para  demonstrar as aprendizagens escolares do sujeito, o que ele já sabe, o que não sabe e ainda o que deveria  saber no nível escolar em que se encontra.
Depois de no mínimo 6 encontros com a criança e com os diferentes testes aplicados, o Psicopedagogo utiliza o instrumento da  Anamnese que esclarece a história de vida e tenta compreender as razões históricas da mesma e de suas dificuldades.
Quanto a interação com a escola, o processo de avaliação Psicopedagógico poderá recolher informações com um questionário para a escola que visa a  investigação junto à mesma sobre o processo de aprendizagem do sujeito ou pode até mesmo visitar a escola e observar o sujeito nesse ambiente, se assim for necessário.
Depois de todo esse processo, o Psicopedagogo organiza uma Devolutiva para a família em forma de laudo escrito. Esse laudo deve conter todos os resultados obtidos nas testagens, além de possíveis encaminhamentos para outros profissionais, se caso necessário, como  Neuropediatra, Fonoaudiólogo, entre outros e também a resposta para a queixa trazida pelos pais na primeira entrevista.
A mesma devolutiva deve ser dada à escola em forma de visita com uma cópia do laudo clínico.
Muitos profissionais se utilizam desse tipo de avaliação, como o neuropediatra ou psiquiatra infantil para realizar um diagnóstico mais assertivo, a escola e seus professores para organizar um fazer pedagógico mais apropriado às características do sujeito e por fim a própria família que diante de uma avaliação bem feita pode tomar as devidas providências com mais segurança (seja de manter as sessões Psicopedagógicas ou procurar um outro profissional).
É importante registrar que alguns dos testes citados acima só podem ser aplicados por psicólogos.